Casos de HIV aumentam entre brasileiros
Educação e teste são as maiores prevenções
Elisa Garibaldi*
Segundo dados revelados no relatório de dezembro de 2007 pelo Departamento de Saúde Pública de Massachusetts, desde o início da epidemia de HIV/AIDS neste estado, membros do que eles consideram comunidades de “cor” ou “minorias” são afetados numa desproporção muito maior que a representação deles na comunidade em geral. Por exemplo, o Censo mostra que 6% da população do estado é negra, e 6% hispânica. E vemos 28 % de pessoas com HIV/AIDS de cor negra, 25% hispânica e 1% asiática ou das ilhas do pacífico.
Sabe-se, também, que o hispânico é mais propenso a viver com o vírus que o branco. E esta estatística fica pior ao vermos que entre as mulheres recentemente diagnosticadas, 83% é de “cor”. E vemos ainda mais, que há indícios de que estas minorias são mais infectadas em relações heterossexuais do que a comunidade branca, na qual existe uma maior prevalência de relações com o mesmo sexo, para homens, e uso de drogas injetáveis, para mulheres.
E quanto aos brasileiros? Apesar de vermos um trabalho reconhecido internacionalmente pelo Brasil na prevenção e combate ao HIV, com um declínio no número anteriormente estimado de pessoas contaminadas para quase a metade, vemos que a realidade do imigrante brasileiro aqui nos Estados Unidos é diferente. O Brasil ocupa a segunda posição na origem dos imigrantes infectados pelo vírus, em Massachusetts, segundo o relatório do período de 2003-2005, estando com 10% dos diagnosticados.
E entre as cidades com maior proporção de diagnósticos estão Lowell, Somerville, Lawrence, Cambridge, onde temos um grande número de brasileiros, sem contar que Framingham, Chelsea e Revere também fazem parte desta lista
Mas, o que faz com que a nossa comunidade esteja com um número alto de pessoas infectadas apesar de tanta campanha de prevenção? Fatores sócio- econômicos e culturais são alguns dos responsáveis, aos quais se juntam a desinformação ainda reinante entre os nossos compatriotas. O uso de condom ou camisinha significa “traição” ou mesmo “humilhação”. A rotina de vida, onde o trabalho é considerado primordial e a saúde fica em segundo plano faz com que muitos nem saibam que se pode evitar ser infectado, tomando medidas simples. Não conhecem a existência de aconselhamento e testes gratuitos, totalmente confidenciais e que mesmo sendo portador do vírus, isto não significa uma sentença de morte.
A medicina tem evoluído muito desde a época em que se considerava a “praga gay” e que a pessoa não dispunha de recursos para evitar a deteriorização do seu sistema imunológico, deixando que o portador do HIV (vírus da imunodeficiência humana) acaba-se desenvolvendo a AIDS (síndrome de imunodeficiência adquirida), vindo a falecer por causa de infecções oportunistas.
Contudo, existem ainda cidadãos que não entendem que a transmissão é feita através de líquidos corporais como sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, caindo por terra mitos entre os quais que “é transmitido através de abraço, beijo ou por sentar no mesmo vaso sanitário”.
Na verdade, além de acompanhamento médico, o que mais estas pessoas precisam é de amor, apoio e compreensão, o que infelizmente só acontece em algumas situações, sendo os mesmos frequentemente discriminados, isolados e até barbarizados.
Quando falamos desta maneira pode asssustar inicialmente, mas não podemos deixar de reconhecer que é mais um fator que assusta a nossa comunidade imigrante brasileira, que inúmeras vezes prefere não ser testada e viver na dúvida, do que correr o risco de ser diagnósticada positivamente e ser marginalizada.
Porém, nem tudo está perdido. Mesmo que informalmente vejamos um aumento do uso de drogas entre os brasileiros aqui, ou que ainda o sexo sem proteção é quase uma constante, começamos a notar que há uma maior procura pelos testes e por mais orientação e auxílio. O teste rápido tem sido alívio para pessoas ansiosas por uma definição em suas vidas. E que medidas tomar?
Um maior diálogo, todavia, é necessário entre os parceiros, pois “quem ama, não mata”. Assim, você não deve expôr a sua vida e a de outros. A conversa com os filhos adolescentes é outro ponto indispensável, mesmo que seja difícil para pais e educadores. Um trabalho coletivo, com a coalizão de vários setores de nossa comunidade, que inclua órgãos de saúde, igrejas, escolas , asssociações comunitárias, empresários visando uma maior educação e preparo dos imigrantes é mais do que necessário. Não deve existir o medo, o preconceito. Atualmente com um acompanhamento adequado, uso de medicamentos e outras terapias, os portadores do HIV têm vivido normalmente, aumentando suas expectativas de vida.
Recursos existem em praticamente todas as cidades; pergunte ao seu médico, não tenha medo, converse e faça a sua parte.
*Colaboração: Shannon Guimarães
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